Falemos sobre as perceções do primeiro-ministro Luís
Montenegro sobre o SNS e a saúde dos portugueses. Para confundir os portugueses
Luís Montenegro serve-se de tudo desde meias-verdade a perceções que depois são
segundadas com os PowerPoint do ministro da Ministro da Presidência, (leia-se propaganda),
António Leitão Amaro, que lhe serve de tábua de salvação. Luís Montenegro faz dos
portugueses ignorantes, mas está muito enganado - deixem-me acrescentar também
portuguesas para não me acusarem de machista.
Para o senhor primeiro-ministro há uma falsa perceção pelas
populações da realidade do SNS que é a criação duma visão distorcida pela
mente, muitas vezes ignorando a realidade factual.
Basta ler a comunicação social para confirmar o que
ele disse: “Somos
todos os dias confrontados com uma perceção de problemas e de crise permanente
do SNS. Felizmente, essa não é a realidade”, referiu Luís Montenegro
durante a cerimónia de inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, no
Porto sem depois prestar declarações à comunicação social.
O aumento do número de utentes do Serviço Nacional de
Saúde, prosseguiu, relaciona-se “precisamente com o aumento da população
residente em Portugal, fruto, nomeadamente, dos ciclos migratórios que tivemos
nos últimos anos e que é um desafio novo a que o SNS não estava tão habituado”.
Ah! afinal parece existir um problema no SNS também devido ao excesso de
imigrantes que entraram e procuram os nossos serviços de saúde públicos.
Digamos que o senhor primeiro-ministro, neste caso, parece dar razão aos desconchavos
de André Ventura.
Li num livro de Miguel Real um parágrafo que do qual
faço a minha interpretação que parece ter saído da boca da ministra da saúde do
Governo de Luís Montenegro. Parece que dentro da ministra da saúde não têm
lugar ecos de lamúrias dos pobrezinhos, porque, se o são, é porque o merecem ser,
(parecem palavras de André Ventura ao falar dos subsídios dos que não querem
trabalhar e também de alguma maneira para o neoliberalismo de Cotrim de
Figueiredo), a que podemos acrescentar um milhão e meio de reformados, que só
se vence pelas mortes destes que constituem um encargo para o Estado e ocupam
camas nos hospitais. Pensará a senhora ministra da saúde, com a sua arrogante
soberba, que ainda bem que não tem ouvido os conselhos de demissão que lhe fazem
e pode continuar na sua vida diária a fazer castelos no ar sobre o SNS sempre
com o afã necessário para superar quaisquer obstáculos que sempre acaba por não
conseguir ultrapassar nem com demissões e nomeações partidárias.
Voltemos aos senhor primeiro-ministro, sem querer entrar
em considerações filosóficas como as de Berkeley que argumentava na altura que
objetos físicos não existem independentemente da mente, sendo apenas conjuntos
de ideias percebidas. Parecem-me as palavras de Luís Montenegro que vão no
sentido de que o povo vive num mundo imaginário pleno de perceções.
Isto, a realidade do SNS não existe por si, apenas como
perceção da mente da população utente do SNS que satisfaz fielmente o trabalho
da ministra da saúde Ana Paula Martins. Talvez tenham ambos feito uma tese de
doutoramento de como manipular as informações de modo a evitar o resultado
não existente na realidade.
Quando não existe uma realidade consensual para todos,
o Governo faz passar por objetiva e verdadeira a realidade que mais satisfaz as
elites do poder, mostrando ao povo as suas verdades alternativas, quer dizer, não
se trata duma interpretação diferente, mas sim de uma substituição deliberada
da realidade factual por uma versão que seja mais conveniente.
Para que a engenharia social no que à saúde diz
respeito que pretende transformar do SNS funcione o Governo e a sua ministra da
saúde precisam que as elites e a comunicação social não perturbarem com hesitações,
verdades problemáticas e indecisões a consciência ignorante e estupidificante
das populações, mas devem iluminar-lhes o caminho que pretendemos seguir mesmo que sem qualquer
critério objetivo e dentro duma realidade virtual que tenha efeitos psicológicos
positivos na mente das populações utentes do SNS.
Na mesmacomunicação o senhor primeiro-ministro aponta
números positivos do SNS, mas nós sabemos como esses números estatísticos podem
ser não apenas interpretados de modo que não seja frustrada a previsão dos
resultados.
Na saúde não precisamos de ministras que sejam frias e
exageradamente racionais e imunes às emoções porque a saúde dos portugueses não
é para brincadeiras.
