sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A realidade não existe o que existe é a sua falsa perceção

 


Falemos sobre as perceções do primeiro-ministro Luís Montenegro sobre o SNS e a saúde dos portugueses. Para confundir os portugueses Luís Montenegro serve-se de tudo desde meias-verdade a perceções que depois são segundadas com os PowerPoint do ministro da Ministro da Presidência, (leia-se propaganda), António Leitão Amaro, que lhe serve de tábua de salvação. Luís Montenegro faz dos portugueses ignorantes, mas está muito enganado - deixem-me acrescentar também portuguesas para não me acusarem de machista.

Para o senhor primeiro-ministro há uma falsa perceção pelas populações da realidade do SNS que é a criação duma visão distorcida pela mente, muitas vezes ignorando a realidade factual.

Basta ler a comunicação social para confirmar o que ele disse: “Somos todos os dias confrontados com uma perceção de problemas e de crise permanente do SNS. Felizmente, essa não é a realidade”, referiu Luís Montenegro durante a cerimónia de inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, no Porto sem depois prestar declarações à comunicação social.

O aumento do número de utentes do Serviço Nacional de Saúde, prosseguiu, relaciona-se “precisamente com o aumento da população residente em Portugal, fruto, nomeadamente, dos ciclos migratórios que tivemos nos últimos anos e que é um desafio novo a que o SNS não estava tão habituado”. Ah! afinal parece existir um problema no SNS também devido ao excesso de imigrantes que entraram e procuram os nossos serviços de saúde públicos. Digamos que o senhor primeiro-ministro, neste caso, parece dar razão aos desconchavos de André Ventura.

Li num livro de Miguel Real um parágrafo que do qual faço a minha interpretação que parece ter saído da boca da ministra da saúde do Governo de Luís Montenegro. Parece que dentro da ministra da saúde não têm lugar ecos de lamúrias dos pobrezinhos, porque, se o são, é porque o merecem ser, (parecem palavras de André Ventura ao falar dos subsídios dos que não querem trabalhar e também de alguma maneira para o neoliberalismo de Cotrim de Figueiredo), a que podemos acrescentar um milhão e meio de reformados, que só se vence pelas mortes destes que constituem um encargo para o Estado e ocupam camas nos hospitais. Pensará a senhora ministra da saúde, com a sua arrogante soberba, que ainda bem que não tem ouvido os conselhos de demissão que lhe fazem e pode continuar na sua vida diária a fazer castelos no ar sobre o SNS sempre com o afã necessário para superar quaisquer obstáculos que sempre acaba por não conseguir ultrapassar nem com demissões e nomeações partidárias.

Voltemos aos senhor primeiro-ministro, sem querer entrar em considerações filosóficas como as de Berkeley que argumentava na altura que objetos físicos não existem independentemente da mente, sendo apenas conjuntos de ideias percebidas. Parecem-me as palavras de Luís Montenegro que vão no sentido de que o povo vive num mundo imaginário pleno de perceções.

Isto, a realidade do SNS não existe por si, apenas como perceção da mente da população utente do SNS que satisfaz fielmente o trabalho da ministra da saúde Ana Paula Martins. Talvez tenham ambos feito uma tese de doutoramento de como manipular as informações de modo a evitar o resultado não existente na realidade.

Quando não existe uma realidade consensual para todos, o Governo faz passar por objetiva e verdadeira a realidade que mais satisfaz as elites do poder, mostrando ao povo as suas verdades alternativas, quer dizer, não se trata duma interpretação diferente, mas sim de uma substituição deliberada da realidade factual por uma versão que seja mais conveniente.

Para que a engenharia social no que à saúde diz respeito que pretende transformar do SNS funcione o Governo e a sua ministra da saúde precisam que as elites e a comunicação social não perturbarem com hesitações, verdades problemáticas e indecisões a consciência ignorante e estupidificante das populações, mas devem iluminar-lhes o caminho  que pretendemos seguir mesmo que sem qualquer critério objetivo e dentro duma realidade virtual que tenha efeitos psicológicos positivos na mente das populações utentes do SNS.

Na mesmacomunicação o senhor primeiro-ministro aponta números positivos do SNS, mas nós sabemos como esses números estatísticos podem ser não apenas interpretados de modo que não seja frustrada a previsão dos resultados.

Na saúde não precisamos de ministras que sejam frias e exageradamente racionais e imunes às emoções porque a saúde dos portugueses não é para brincadeiras.


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