A demagogia de alguns líderes partidários, políticos e
membros do Governo, sobretudo durante campanhas eleitorais e de catástrofes, explode
em catadupas.
O conceito de demagogia tem várias entradas na maior
parte dos dicionários. Um deles define-a como sendo um “discurso ou ação
política em que se procura conquistar apoio através da manipulação das emoções
populares, em detrimento do uso de argumentos lógicos ou racionais” e
noutro “Discurso ou ação que visa manipular as paixões e os sentimentos do
eleitorado para conquista fácil de poder político”.
Para Aristóteles a demagogia era o de arrastar o povo
e descreve-a como uma forma de governar em que os argumentos são substituídos
por apelos aos amores, medos, preconceitos e ódios dos cidadãos. É uma
linguagem usada nos debates através da exploração dos sentimentos.
Os demagogos surgem em momentos de crise política ou
social e revelam-se como salvadores para conquistarem o povo e colocá-lo do seu
lado. Em casos mais graves usam a demagogia para mudarem o rumo dum regime
político fazendo-o derivar para regimes autoritários. O que seria uma
impossibilidade pode seguir para uma possibilidade.
A demagogia pode revelar-se de várias formas. O caso
da atualidade é a da tempestade devastadora que provocou uma crise que está a assolar
uma região do nosso país. Os demagogos saíram das tocas habituais ou utilizaram
os meios de comunicação social e as redes sociais para “virem à superfície” em manobras
para cativar o povo, algumas até simplesmente lamentáveis como foi a de António
Leitão Amaro, ministro da Presidência e um dos braços direitos do primeiro
ministro, que publicou ontem nas suas redes sociais um vídeo em que o
próprio aparece a ser filmado de vários ângulos e em várias situações,
aparentemente a gerir, com uma música épica de fundo, a situação de calamidade que
se vive no país devido à depressão Kristin.
Outra foi o caso de André Ventura que aproveitou o
estado de calamidade para o que não foi mais do que um gesto de propaganda
eleitoral conforme crítica de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria ao
dizer que “Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de
água e que se filma para trazer numa ‘carrinhazinha’ pequenina a ajuda ao
distrito e ao concelho de Leiria” e considerou que “aproveitar o que está a
acontecer para fazer campanha” é “uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está
há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas”. Supõe-se
que as críticas teriam como destinatário André Ventura.
São dois claros exemplos de demagogia pacóvia já para
não falar do estranho caso da ministra da administração interna, Maria Lúcia
Amaral que depois da sua primeira declaração à comunicação social e após a
passagem da depressão Kristin, na madrugada de quarta-feira veio dizer que “Sou
responsável pela Proteção Civil, com muita honra. Há muito trabalho que se faz
em contexto de invisibilidade, no gabinete. Temos trabalho de informação,
reflexão, planeamento e coordenação”. Esta senhora em situações de emergência
fica a sempre fazer trabalho de meditação e em estado de invisibilidade.
Governar não é apenas legislar e ficar na
invisibilidade dos gabinetes. Implica atuar hierarquicamente no quadro das
responsabilidades da proteção civil, promover a coordenação, enfim, atuar.
Foi de lamentar a abulia do Executivo “em aprendizagem!”
nas palavras da ministra da Administração Interna lançadas publicamente na
sexta-feira. O Governo parece preferir a “digestão” da crise em vez da gestão que
acha vai ficar resolvida com as medidas saídas da reunião do Conselho de
Ministros extraordinário.

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